5 de jul. de 2020

Riquezas Espirituais da Herança dos Santos


Nosso objetivo neste estudo é falar a respeito de coisas espirituais, não visíveis à estes olhos físicos mas relatados pela Palavra e crido por aqueles que são mais dedicados ao Reino de Deus.

Diante deste estudo existem duas posições: aquele que como Pedro afundou nas águas sem acreditar, ou aquele que tem a fé que agrada a Deus o Pai descrita em Hebreus 11: 6. A fé é essencial para receber em seu coração o que vamos explanar aqui.

Iniciaremos o estudo sobre as riquezas espirituais da herança dos santos por este trecho:
Para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele, tendo os olhos do entendimento iluminados, para que saibais qual é a esperança do seu chamado, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação do seu grande poder. Efésios 1: 17 a 19 BKJ.

Existe uma herança para os que são santificados, os que vivem na luz de Cristo. Toda essa herança foi derramada sobre nós por causa da boa vontade do Pai para conosco.

Quando Cristo disse: “Está consumado”, tudo o que fazia parte do plano de Deus foi dado a nós, foi trazido ao nosso alcance. Isso nos dá o direito de desfrutarmos de muitas riquezas espirituais preparadas por Deus para aqueles que creram em Jesus. Algumas coisas nós já podemos usufruir neste tempo presente e outras apenas na eternidade. Alguns exemplos:

A vida eterna é uma das coisas que Cristo nos entregou para começar a partir daqui (João 17: 3). Quando ela começa? No mesmo momento que os homens conhecem Jesus Cristo como Messias, e através de Cristo conhecem ao Pai, por único Deus verdadeiro. Este momento se dá aqui mesmo na terra.

A santificação da igreja pela Palavra de Deus (Efésios 5: 26 e 27), conforme foi trazido no último estudo.

Outra coisa dentre as que podemos desfrutar já neste tempo é ter o conhecimento sobre a pessoa de Deus o Pai, como está no texto citado.

Muitos cristãos não acreditam que isso seja possível, mas é como Jesus disse que há erro em não conhecer as escrituras. Veja que no versículo acima fica bem claro que se trata da vontade de Deus pra nós. Deus o Pai quer que seus filhos O conheçam e também que conheçam todas as suas coisas.

Parece algo muito simples, mas as pessoas têm medo de orar pedindo algo relacionado com isso. Por exemplo, é direito do cristão ter visões e revelações celestiais como Paulo e outros irmãos tiveram. Isso não tem a ver com dom ou com pessoas mais dignas que outras, só tem relação com ler a Palavra, compreender e colocar em prática. Quando a pessoa compreende que Deus o Pai deseja ser conhecido por nós e revelar suas riquezas, então começa a buscar por isso fazendo por meio da fé.

Nós podemos ter experiências com o Pai para aprender mais sobre Ele, sobre o Reino, a Palavra, etc. Tudo isso faz parte de uma riqueza espiritual preparada para aqueles que são de Cristo.


Riquezas celestiais

Mateus 6: 19 a 21 - Por que é tão importante falar das riquezas espirituais? Em termos terrenos, se você mostra algo de muita beleza para uma pessoa, bem provavelmente ela vai passar a desejar aquilo. Agora, se para esta mesma pessoa, for mostrada uma riqueza muito maior, ela vai deixar a primeira riqueza pela segunda.

Os cristãos trocam as riquezas do mundo quando passam a perceber a superioridade que há herança preparada por Deus para nós. Porém alguns ainda não a notaram porque falta fé no que lê.

Em breve todo o dinheiro que as pessoas suam tanto pra conseguir não vai valer nada, em breve as residências, empresas, bens, serão apenas de um único dono.

As riquezas eternas não são alcançadas por ladrões, nem as traças as consomem. A casa que teremos no céu não vai sofrer a ação do tempo e precisar de reforma, não vai quebrar um encanamento aqui, uma torneira ali etc.

Aqui nós temos que vender para comprar, lá não vai existir esse sistema corrupto. Lá o alimento é gratuito e farto.

Pelas quais nos são concedidas grandíssimas e preciosas promessas, para que através destas possais ser participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção do mundo, através da concupiscência - 2 Pedro 1: 4 .

Por que o cristão precisa pensar nas riquezas celestiais? Tendo compreendido que somos participantes do que Deus preparou para nós, coisas que são bem maiores e melhores do que as que vemos, nós só desejaremos aquilo que for mais excelente. Quanto mais pensamos no céu, menos desejamos as coisas da terra.

Tudo o que desejamos em nossos corações tem poder sobre os nossos pensamentos. Richard Baxter diz que um coração que está constantemente ligado ao céu é a maior evidência de que a graça salvadora alcançou aquela pessoa. Ele tem toda razão em pensar assim, pois amar o Reino do céu significa que deixamos o amor ao mundo.

Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. 1 Coríntios 15:53

Paulo fala que teremos um novo corpo, mas não é só isso. Esse novo corpo não tem nele a corruptibilidade.  O que isso significa? Aquele que é velho aqui na terra, será rejuvenescido porque neste novo corpo não há velhice. Enfermidades e dores não vão entrar naquele lugar. Óculos não serão necessários. As crianças vão poder brincar livremente porque não vão se machucar nem vão correr perigos. Todos os que forem revestidos por esse novo corpo jamais passarão de novo pela morte, e viveremos com os santos sem ter que nos separar jamais deles.

E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. Lucas 23:43

Por que Jesus disse isso ao ladrão da cruz? Jesus sabia que ainda ia ressuscitar e passar 40 dias na terra e só depois ascenderia ao Paraíso. Esta é a evidência que o dia no Paraíso dura eternamente. No céu não existe noite para intercalar os dias, há um só dia. Não existe cansaço físico, não precisaremos dormir como fazemos aqui. Não existirá o escuro da noite, apenas luz, apenas dia.   

A palavra paraíso dita por Jesus aqui e pelo apóstolo Paulo lá em 2 Cor. 12: 4, no grego pode ser traduzida por um jardim prazeroso. O prazer pode vir da beleza, das árvores frutíferas e de muitas outras coisas que o Pai preparou para nós desde antes da fundação do mundo.

Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 1 Tessalonicenses 4:17

Quando estiver triste ou aflito, se lembre que em breve vamos morar eternamente com Cristo. Esta riqueza precisa fazer nosso coração romper qualquer tristeza.

Teremos tempo para abraçá-Lo, pra conversar, perguntar, agradecer, chorar, fazer qualquer coisa que o nosso coração desejar! E saber que estaremos o tempo todo perto Dele, nunca mais existirá nenhuma distância.

Quero falar agora um pouco com relação à nossa entrada no céu, para que nossos corações tenham uma breve noção de como será naquele grande dia!

Quando estiver entrando a multidão de santos arrebatados naquele lugar, então ouviremos: Então, dirá o Rei aos que à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo - Mateus 25:34

Então seremos conduzidos à uma sala onde serão apresentados e coroados todos aqueles que desejaram ardentemente a vinda de Jesus levando o Evangelho do Reino de Deus para que se cumprisse o que estava predito na Palavra – 1 Pedro 5: 2 a 4 e 2 Timóteo 4: 8.

Como comemoração das bodas haverá um banquete no qual o próprio Jesus nos servirá – Lucas 12: 37.

30 de jun. de 2020

Guardados Para o Arrebatamento

Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela lavagem da água pela Palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Efésios 5: 25 a 27

A igreja é como um copo de água, aquele tanto de água que vemos, na verdade, é um número de moléculas tão pequenas que nossos olhos não podem ver se estiverem separadas. Imagina que este copo com água está marrom, sujo de terra, e cada uma dessas moléculas estão de braços abertos olhando pra cima e dizendo: dá-me a tua Palavra. Então Jesus, com outro copo de água (que é a Palavra) vem e derrama uma água limpa dentro desta, e aquela é capaz de tirar toda a mancha de sujeira desta aqui.

Quando desejamos a Palavra em nossos corações, ela tem a capacidade de tornar a nossa vida limpa, apesar da nossa natureza hoje ainda não ser perfeita. O que isso significa? A Palavra de Deus não vai nos santificar, ela já foi dada a nós e já nos santifica hoje mesmo. Cristo disse aos discípulos: Vós já estais limpos pela Palavra que vos tenho falado - João 15: 3. Ele não disse “pela Palavra vocês serão santificados”, mas disse: “já estão limpos pela Palavra”. Isso quer dizer que a santificação pela qual orávamos e que esperávamos ansiosamente já aconteceu.

A Palavra de Deus é algo tão poderoso que é capaz de limpar a igreja. Aquilo que nós não somos capazes de realizar ela faz. Ela é o agente de transformação de uma igreja constituída de seres limitados em igreja gloriosa. O pecado é algo capaz de sujar e manchar para sempre a vida de uma pessoa, mas pela Palavra de Deus em nós esse poder se desfaz. A igreja será apresentada à Cristo sem ruga porque pela Palavra ela não envelhece, não se cansa, está sempre recebendo vida aguardando o noivo. Irrepreensível, embora imperfeitos, por ser um corpo santificado pela atuação da Palavra de Deus sobre nós.

Quando olhamos para nós mesmos não vemos essa santificação e nem veremos. Ao santo de Deus não convém enxergar-se como um, porque Jesus disse que quando fazemos aquilo que nos foi ordenado precisamos sentir que fizemos apenas a nossa obrigação e nada mais que isso - Lucas 17 v. 10. Então aquele que tem seu coração sincero pra Jesus tem total consciência que é falho, e essa é a boa oportunidade que vai produzir em nós um sentimento de dependência de Jesus, necessidade do Reino de Deus em nós.

Os sinceros de coração não ousam dizer a Cristo o que fazem para que o Reino esteja sobre eles, ao contrário, eles tem a sensação de que fazem muito pouco ou quase nada em concordância com a vontade de Deus. Este sentimento os levará à uma busca constante por seguir a vontade de Deus, eles vão orar por isso, vão atentar no dia a dia para que ela seja cumprida.

Aí está a diferença entre aquele que é justificado e o que não é, a posição do coração. Comparando a história daquele que orou e saiu justificado, como disse Jesus, sua oração foi de dependência do Reino de Deus (Lucas 18: 9 a 14). Como quando nós estamos num lugar reservado e paramos para receber um pouco da Palavra de Deus, o sentimento que nos leva para a Palavra é exatamente o “eu preciso de um pouco dela para me encher”.

Existem pessoas hoje que sentem tamanha necessidade que cercam a sua vida apenas de coisas que o remetem à Palavra de Deus, leitura, pregações, louvores, o dia todo, 7 dias por semana. Por que fazem isso? Elas sentem que seus corações são como a terra do deserto e suas vidas são vazias, e só a Palavra vem como água em resposta para essa sede.

Outras pessoas o fazem por religião como se isso fosse um fardo, mas isso não dura muito tempo. Elas se perdem no foco com outras coisas, porque ainda não colocaram o seu coração no caminho certo. Essas pessoas, bem provavelmente, tomaram a decisão de buscar a Palavra baseados em um sentimento de necessidade também, porém não enraizado, não consciente e que não excluiu todo o resto. Buscar o Reino de Deus não pode ser baseado numa emoção momentânea, mas é uma decisão de vida! Uma importante decisão que exige perder tudo, colocar todo o resto de lado e deixar o coração puramente à serviço da vontade de Deus: “Venha a nós o teu Reino, seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”.

Não é muito que podemos fazer, pois a santificação vem por parte do Espírito proveniente de Cristo e não de nós mesmos. O que podemos fazer é decidir amar a Palavra de Deus no seu sentido mais puro e genuíno, então a santificação virá sobre nós. Ela está além dos nossos limites, o poder não é humano, mas é de Deus.

Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.
Efésios 1:13,14

Em quem também vós estais” - Paulo está falando de uma posição que é vivida pelos irmãos em Cristo, eles entraram para o corpo. Não são mais pessoas sob o domínio dos deuses, eles têm as vidas escondidas em Cristo Jesus.

O que operou essa ligação entre os irmãos e Cristo? O que os fez entrarem para o corpo de Jesus Cristo? É exatamente o que Paulo descreve a seguir: “depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação”.

Um irmão pode ser do corpo ou não ser. Quando ele é? Quando ouviu a Palavra, a voz de Jesus Cristo, o Evangelho que salva. Ouviu misturando com fé, assim a Palavra foi semeada no coração. Este está ligado ao corpo de Cristo enquanto a Palavra estiver viva no seu coração. Busquemos, pois, que essa chama não se apague.

A semente vivificada no coração é aquela que germina e, não encontrando barreiras, cresce regada com fé. A Palavra sem fé é descartada ao pé do caminho, não acerta o alvo que é a transformação de vida.

Este trecho merece um exame mais detalhado nas Escrituras. Como disse antes, o cristão pode não ser pertencente ao corpo, é o caso da semente que foi semeada ao pé do caminho. Um coração endurecido do tipo: “essa Palavra não serve pra mim”, ou “não é bem assim”, ou ainda “prefiro ficar na graça e no amor”. Estas duas últimas apesar de serem verdades têm sido usadas como escudo para barrar a entrada da própria Palavra como desculpa para o pecado e não crer no Evangelho.

Há ainda mais uma forma de não ser participante da Igreja, ela está relatada em Hebreus 6: 4 a 6. Esta é a pior coisa que pode acontecer ao cristão, pois a que foi apresentada anteriormente pode vir a mudar, mas esta é permanente.

Mas do que estamos falando? Se um irmão ou irmã for iluminado, recebendo a Palavra de Deus em seu coração e crer tornando-se participante do Espírito Santo, depois disso voltar atrás apostatando da fé nos ensinamentos do Filho de Deus, é impossível que seja inserido novamente no corpo. Para que isso pudesse ocorrer, seria necessário que o Filho de Deus fosse novamente crucificado.

Um exemplo para ficar bem claro o assunto: Alguém ouviu o Evangelho, creu e tomou a decisão de ser batizado nas águas, depois de alguns anos a pessoa recebe uma semente maligna que a ensina contra o batismo, então ela passa a pensar que o seu batismo não significou nada.  Essa pessoa simplesmente pisou no sangue de Cristo, fazendo agravo ao Espírito que nos reveste quando cremos no Evangelho.

Voltando ao trecho que estávamos estudando de Efésios, vejamos a parte “tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. Crer no Evangelho com o coração puro, limpo de todas estas coisas que acabamos de ver, o Espírito Santo que foi prometido por Deus Pai (Lucas 24: 47 e Atos 1: 4 e 5) para todos os que são discípulos, habita em nós como um selo.

Sem entrar em detalhes vou usar aqui o selo romano para exemplificar o do Espírito. O selo que foi usado na tumba de Jesus era o selo oficial do governador romano representando o poder e a autoridade do Império Romano. A finalidade de estar ali era impedir que alguém mexesse no sepulcro. Ele também era um modo de autenticação, provando que é real ou genuína, um meio de proteger sob a autoridade do Império Romano.

O selo do Espírito Santo que não é físico, mas espiritual, em nós significa toda essa proteção, porém sob uma autoridade maior que é Deus o Pai. Com ele temos sobre nós a autenticação de pertencentes a Deus, guardados de principados, potestades e todos os nomes que incluem o reino espiritual. Algo tão maravilhoso está sobre todo aquele que ama verdadeiramente a Palavra de Deus.

“O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória”, Paulo consegue juntar nesta frase o começo e o fim da vida do cristão aqui nesta terra. Quando ele diz que o selo do Espírito Santo é o penhor da nossa herança, está referindo-se a Cristo quando disse: Vou e venho para vós, mas não vou deixá-los sós, enviarei o Consolador (baseado em João 14).

A palavra penhor tem por significado o ato ou palavra que assegura o comprimento de um compromisso, obrigação ou promessa. Portanto, o selo do Espírito Santo sobre nós significa dizer que estamos guardados para o cumprimento da promessa da vinda do nosso Senhor Jesus Cristo. Porque Ele disse que voltaria para nós, nos selou para este dia.

Então Paulo escreve: “para redenção da possessão adquirida”. Quando Cristo nos comprou, Ele não tinha o propósito de nos deixar aqui neste mundo de trevas para sempre. Nós estamos aqui até que se cumpra a vontade de Deus, até que se acheguem ao Reino do Pai todos quantos hão de herdar a salvação. Depois deste momento, nós seremos resgatados para viver não mais sob a criação dos deuses, mas num lugar que Deus preparou para nós.

O selo do Espírito Santo está sobre nós para que por ele sejamos identificados como pertencentes a Deus no dia da redenção.

Vamos explicar sobre a palavra redenção na Bíblia de maneira rápida para que não fiquem dúvidas quando ler textos onde ela aparece. A Bíblia fala de redenção sob dois aspectos: o primeiro é a obra de Cristo para nos redimir do pecado e o segundo é o resgate de uma determinada prisão, e este último está falando do dia do arrebatamento.

Enquanto estamos no mundo, estamos presos ao sistema onde precisamos comprar e vender, somos suscetíveis ao reino espiritual à espreita o tempo todo querendo nos derrubar, tentações para ficarmos nervosos, pecados no pensamento, tudo isso faz parte deste corpo no qual fomos aprisionados pela criação carnal. Porém, todas estas coisas serão extintas no dia da redenção – Romanos 8: 18 a 23.

Tem ainda um último texto onde o apóstolo Paulo fala destas coisas, está em Efésios 4: 17 a 30. Ele fala sobre a dureza do coração para receber a Palavra, da dissolução que é jogar fora aquilo que aprendemos da parte de Deus (apostatar), fala de coisas que as pessoas se defendem usando a desculpa da graça e do amor de Deus para não obedecer a Palavra e termina dizendo:

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Efésios 4:30

Vamos finalizar o estudo trazendo à luz o fato comprovado pela Escritura: Se você tem desejo pela Palavra de Deus para a sua vida, você é parte do corpo de Cristo e tem o selo do Espírito Santo no qual toda a igreja está guardada para o dia da redenção.

 

5 de jun. de 2020

A PARÁBOLA DO RICO E LÁZARO



A parábola da qual vamos tratar neste estudo bíblico apresenta-se no Evangelho de Lucas 16: 19 a 31. Ela contém ensinamentos que são pertinentes desde a época de Jesus até os nossos dias. Vamos, então, ao estudo.

Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. Lucas 16:19 e 20

A primeira coisa que me vem a mente é por que Jesus escolheu um nome para essa parábola? Por que Ele não disse apenas havia um rico e um mendigo para exemplificar algo do Reino de Deus? Isso quer dizer que Ele não se referia a uma riqueza ou pobreza física, esse não era o sentido que Jesus queria mostrar aqui. A intenção de Jesus era ser bem específico, pois o nome Lázaro demonstra isso. Esse nome tem por significado miserável, aquele que tem chagas ou lepra.
  
Jesus queria mostrar que de um lado estava alguém que tinha chagas e do outro lado alguém que era rico, tinha fartura. Se olharmos para o sentido físico, não podemos ver uma razão para essas duas figuras estarem opostas, mas se aplicarmos o sentido espiritual podemos perceber uma lógica para as duas figuras.

Jesus compara esse homem rico à um povo rico, não de bens materiais mas de bênçãos espirituais e a maior delas é o próprio Evangelho. Existe um povo a quem a salvação foi primeiro anunciada, este povo é o judeu – Romanos 1: 16. Assim também o Salvador do mundo todo, primeiramente foi prometido para salvar Israel – Atos 13: 22 e 23.

O apóstolo Paulo conta detalhadamente como Deus enviou Jesus primeiramente aos judeus em Atos 13: 34 a 39 para justificação dos que Nele crêem. Pelo fato do judeu poder receber a promessa antes, isso faz desse povo ter uma posição privilegiada sobre todos os habitantes do mundo, justificando assim o que fora dito por Jesus que “aquele homem vivia esplendida e regaladamente”.

Durante seu ministério aqui na terra, o Senhor Jesus escolhe doze discípulos, todos eram judeus. Depois disso, Ele instrui os discípulos a saírem para pregar o Evangelho, e de forma bem explicita ordena que seja pregado primeiramente aos judeus – Mateus 10: 5 e 6. Após a morte e ressurreição de Jesus, eles perderam a essa posição de privilégio? Não. Ao enviar os discípulos como testemunhas, Cristo disse: ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra – Atos 1: 8. É bem verdade que o Evangelho espalhou-se por todo o mundo, porém foi exatamente nessa ordem que aconteceu.

A veste do homem rico citado na parábola por Jesus, faz menção à veste do sacerdote de Israel. Veja em Êxodo 28: 2 a 5

Veremos agora, quanto o povo judeu era privilegiado por viver sobre promessas, tais como esta:

E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11:26

Jacó aqui significa toda a casa de Israel, para quem foi prometido ser livre do pecado por intermédio de um Salvador. Olhando fixamente para este momento da humanidade, sem considerar outros tempos futuros, podemos então distinguir uma divisão clara entre um povo santificado (ou que deveria ser santificado) e outro povo perdido em pecados, estes são os gentios os quais não tinham nenhuma promessa.

E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. Lucas 16:21

Segundo o ministério da lei, os gentios não tinham sequer a esperança de salvação antes de Jesus vir cumprir o plano de Deus para a redenção da humanidade. Como mostra o Salmo 10: 16: O Senhor é Rei eterno; da sua terra perecerão os gentios.

Sentença sobre a terra como um todo, a terra criada por Jeová. E mais uma vez ele confirma que suas bênçãos são exclusivas para Israel: E habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei o seu Deus - Êxodo 29:45
Sem esperanças, os gentios alimentavam-se de qualquer migalha. Foi essa a expressão da mulher Cananéia em Mateus 15: 22 a 28.

Seria então essa a razão do nome tão específico escolhido por Jesus para usar nesta parábola? De um lado alguém rico por promessas e bênçãos, do outro alguém miserável e cheio de chagas.

A própria Bíblia explica o que são as chagas. Em 1 Reis 8: 38 fala a respeito de uma chaga que está no coração e no 39 se refere a perdão. Obviamente está se referindo a pecado do coração. Também Davi se refere a ele mesmo como um homem de chagas por uma loucura, a descrição perfeita de um homem que perde completamente a razão e adultera, isso está em Salmos 38: 1 a 5.

Jesus ainda diz na parábola sobre alguns cães que lambem as chagas. A Bíblia esclarece quem são: Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. Isaías 56:10,11

Pastores que nada compreendem porque não havia luz em seus olhos e mente, gostavam de, em nome da religião, sugar as pessoas insaciavelmente. Suas pregações não produziam e até hoje não produzem vida porque permitem e concordam com o pecado. Os pastores da antiga aliança não podiam arrancar o pecado, só lamber, pois Cristo que nos mostra a cruz não estava lá. Hoje temos a manifestação de Cristo, mas alguns preferem andar segundo as ações daqueles pastores incentivando o pecado.

Quando um pastor incentiva o pecado? Quando prega o reino da matéria colocando o mundo no coração do homem. O antigo testamento foi escrito para pessoas que querem promessas terrenas, nisto não está a verdade. É por isso que a Bíblia resume a verdade ao ministério de Cristo e exclui dela o ministério da lei – João 1: 17.

Percebemos no Novo Testamento que a pregação de Cristo leva as pessoas a olhar para o reino celestial, a partir do Evangelho de Mateus sem nenhuma variação. Nas palavras de Jesus, se nosso tesouro está no céu, também ali estará o nosso coração, e que não devemos ajuntar tesouros aqui na terra para que nosso coração fique preso – Mateus 6: 19 a 21.

Depois de toda essa explicação que traz uma distinção clara à respeito do Antigo e Novo Testamento, uma provável dúvida seria: “Por que Deus o Pai enviaria Jesus primeiramente à casa de Israel?”. Possivelmente algumas pessoas se contentariam com a explicação de que Jesus precisava cumprir as Escrituras, e de fato como o Messias prometido, tudo o que acerca Dele estava escrito precisava se cumprir.

Mas existe outra questão que está contida na expressão de Jesus Cristo quando se refere à Israel. Veja em Mateus 15:24, Ele diz: “ovelhas perdidas da casa de Israel” e também no Evangelho de Mateus 9: 36 conta que Jesus vê esse povo como “ovelhas que não tem pastor”. Sabemos que essas coisas foram ditas em território Israelense, sobre o judeu e para judeus (os discípulos).

Olhando para a Palavra de Deus, não consigo ver outra explicação senão a que Jesus, por compaixão de um povo perdido sem pastor, veio primeiramente a eles. Cristo conhecia o reino espiritual e se Ele considerava assim, sabia bem o que estava falando.

Então, conforme a parábola, é neste momento da história, quando Jesus vem à terra, que tudo muda de figura.

E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. Lucas 16:22,23  

Aqueles a quem a promessa de um Salvador foi feita, não quiseram Jesus – João 1: 11. Diante de um Messias pobre, pacificador, não envolvido com a política da época, nem com qualquer outro interesse terreno, este povo deu preferência às promessas que havia no Antigo Testamento amando o mundo e não o céu.

Não posso dizer que todos os judeus agiram dessa forma, pois os onze discípulos O receberam primeiramente, e depois outros a quem foi pregado o Evangelho também foram agregados à salvação.
                                                                            
Então aquele que era rico em vida, na sua morte foi ao Hades. Sabemos pela Bíblia que a salvação opera pela fé em Jesus Cristo, assim, não importa o quanto a pessoa viveu na lei, ou se ela era religiosa, se servia algum deus, se cometia boas ações. A salvação passa exclusivamente por Jesus (Atos 4:12), e os judeus O rejeitaram.

Já o mendigo, a Parábola diz que “morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”. Considero duas mortes nesse trecho, a primeira que é a conversão onde o mendigo olha para o Salvador e recusa o mundo, e a segunda morte que vai trazer a figura de Abraão no lugar de Deus o Pai. Você pode ver esta relação em Hebreus 11: 17 a 19.

Lázaro é salvo por crer no Salvador, o povo gentio recebe Cristo como Senhor enquanto os judeus O desprezam. Mesmo sem promessas, Jesus alcançou os gentios e eles O receberam por fé. Agora já não há distinção de um povo escolhido e outro não, como está claro em Efésios 2: 14 e 15.

Agora cada um encontra-se em um lugar distinto. Tão rapidamente quanto diz na parábola pela expressão “erguendo os olhos”, o rico se viu no lugar onde há tormento. Já Lázaro foi levado pelos anjos ao céu. Não esperaram, nem dormiram.

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Lucas 16:24

Neste versículo 24 vemos uma ligação entre esta parábola e a discussão entre Jesus e os judeus que não criam Nele relatada em João 8. O fato do rico chamar Abraão de Pai é a primeira indicação. Aqui, Jesus está mostrando claramente que está falando do judeu, pois eles se consideravam filhos de Abraão (João 8:33). Como se Cristo dissesse: “Vocês se acham filhos de Abraão, mas se não crerem em mim, vão terminar no Hades”( João 8: 24, 39 e 40).

Para que creiam, Jesus descreve os tormentos como fogo, sede e falta de água que, no inferno, enfrentarão os que não creram Nele. E mesmo depois de ter dito isso, eles continuavam desprezando o Salvador do Mundo. Mas qual seria a razão pela qual eles insistiam em não crer?

Receber Jesus Cristo significava romper com a lei, desligar-se do que lhes conferia status, muitos privilégios. Ora, desde garotos estes eram preparados para alcançar esta posição! Jesus significava viver diferente, se submeter a uma vida limpa não de aparência, mas em verdade. Para seguir Jesus era (e ainda é) necessário pagar um alto preço de despojamento. Os templos, o círculo de convivência, o respeito que as pessoas tinham pelas seitas judaicas, tudo isso e muito mais teria que ficar para trás para aquele que quisesse ouvir e reconhecer Jesus Cristo como seu Senhor.

E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Lucas 16:9.
Em outras palavras, “se desfaçam das riquezas terrenas para receber aquela que é eterna”.

Esse ato de vender as riquezas terrenas para adquirir as riquezas celestiais só faz sentido para aquele que ouve e atenta à Palavra de Deus. Aquele que não escuta atentamente não pode ter a certeza de que existe uma riqueza bem maior da qual vale a pena se desfazer de tudo aqui para ganhá-la. Sem essa certeza, como tomar tal decisão?

É por isso que o versículo seguinte completa o mesmo raciocínio: Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. Lucas 16:25

Estejamos atentos a estas palavras de Jesus que exemplifica com a decisão do judeu, mas que serve para todo aquele que age semelhantemente e embora tenha a Palavra à sua disposição, se despoja dela trocando-a por outros tesouros materiais e passageiros.

E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. Lucas 16:26

Uma vez que uma pessoa fez sua escolha em vida, já está determinado o que encontrará na morte. Aquele que preferiu bens ou privilégios na terra à Jesus Cristo, será como aconteceu com rico por toda a eternidade. Mas se preferiu despojar-se e crer como Lázaro, também viverá como a parábola descreve para sempre. Não há chance de mudar durante a eternidade. É necessário ouvir a mensagem da salvação e do Salvador agora.

E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Lucas 16:27-29


O rico pede à Abraão que envie Lázaro, estando morto, à casa de seu pai para falar que existe um inferno, que precisam se despojar, crer, etc. Então Abraão responde: eles tem a lei e os profetas. Os judeus tem a lei e não a ouve, eles tem os profetas e também não os ouve, porque tanto a lei como os profetas trazem as evidências suficientes que Jesus é o Messias prometido à Israel e mesmo assim eles não ouvem. Veja que, através dessa parábola, Jesus mostrou o que disse em João 5: 39 e 40: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. E não quereis vir a mim para terdes vida.

E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. Lucas 16:29-31

Jesus está dizendo aos judeus: “Eu vou morrer e ressuscitar, mas mesmo assim vocês não crerão em mim. Mesmo após a minha ressurreição não ouvirão. Esta é a prova de que vocês não atentam com sinceridade à lei e os profetas que de mim testificam”.

O povo judeu, amando a terra e as coisas aparentes seguiu uma religião vazia. Não viram a verdade que estava em Jesus Cristo, ou se viram, não se importaram. Mas a decisão de não crer, de não se despojar das coisas desta vida passageira estabelece um peso para a eternidade.

Que nós, possamos olhar atentamente para Cristo que é a verdade e fielmente segui-Lo como Ele nos ensinou.

9 de mai. de 2020

O REAL VALOR DA GRAÇA


Irmãos, este estudo produziu em mim alegria em ver o guiar de Cristo sobre cada estudo feito até aqui. E com a mesma alegria eu quero compartilhar com vocês, entendendo o valor que foi pago por cada vida considerando a importância de se conhecer esta verdade.

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. 

O personagem Cristão no livro de John Bunyan adquire um fardo nas costas ao ler o livro que fala sobre um Salvador e uma cidade celestial. Ele aprende que será arrastado pelo fardo para o inferno. Cristão encontra-se cansado e sem esperança por não ver como se livrar daquilo. Até o momento que conhece outro personagem chamado Evangelista, este tem o papel de mostrar o caminho que sai da Destruição e leva à Cidade Celestial.

No decorrer desse caminho, Cristão encontra a libertação do fardo ao chegar bem diante da cruz. Uma sucessão de fatos ocorrem antes disso acontecer, ele tem alguns deslizes, mas se esforça para seguir no único caminho que leva ao céu. Este é um exemplo do caminhar de um cristão verdadeiro.

O autor retratou que um cristão ao iniciar sua busca pelo Salvador no Evangelho tem os olhos espirituais abertos e passa a conhecer seu próprio pecado. Ele tem consciência que o pecado é o fardo pesado que o arrastará para o inferno. Querendo se livrar do peso do passado encontra diante da cruz a libertação. Em Jesus há descanso para a sua alma, esse descanso vem pela graça quando um pecador atento às palavras de Jesus sai do caminho do pecado para andar no caminho que leva à vida eterna.

Quando uma pessoa deseja Jesus, seus ensinamentos são leves e suaves. É com muita alegria que o cristão verdadeiro se alista para a batalha, porque ama Aquele que o chamou. Porém quem não ama Jesus vê os seus ensinamentos como algo penoso e difícil de carregar. A alma aflita é reflexo daquele que não encontrou em Cristo o descanso que a graça traz.    
  
O conceito da graça em meio a apostasia dos últimos tempos foi trocado de algo que custou a vida do Salvador para algo barateado.  Pregadores falam da graça como se fosse um direito adquirido de conveniência para aquele que quer permanecer no pecado. Com este estudo queremos levá-lo à reflexão e compreensão do verdadeiro valor da graça.

O conceito de graça é bastante difundido, mas qual é, na prática, o significado dela? Qual é o papel que ela desempenha na vida de uma pessoa? Creio que a resposta mais comum seria que ela significa o perdão de pecados concedido por meio do sacrifício do Nosso Salvador. Ela tem sido oferecida como um remédio farto para todo o tipo de pecado ao pecador. A graça é um assunto que não se esgota, mas tem sido pregada apenas como “perdão infindável para pecados”.

Jesus disse que pelo fruto nós conhecemos a árvore. Qual tem sido o fruto da pregação da graça, atualmente? Será que ela tem operado para libertar do pecado ou para satisfazer o ego do pecador? A pregação a revela com aparência terrena ou celestial?

Por que as pessoas quando querem justificar seus pecados pensam rapidamente na graça? O quanto ela se parece com o resto do Evangelho? Será que ela é uma parte independente dos ensinamentos de Jesus? Pode a graça ter um lado que diverge do convite para a cruz, negue-se a si mesmo ou o seguir a Jesus?

O valor da graça pode estar na boca de quem prega. A pregação incompleta da graça pode oferecer conveniência, a exposição perfeita da graça convida para a mudança. Tudo depende de como ela é apresentada, se é instrumento puro de facilitação ou se ela é revelada como parte Evangelho.

Se pregarmos sobre a graça, precisamos abordar o assunto por completo a fim de que ela não seja oferecida como um Evangelho de conveniência. Para isso, precisamos saber o que ela exige de nós e quem são as pessoas que tem o direito à graça.

O valor dela também pode estar ligado à forma como é ouvida. A mesma pregação sobre a graça pode ter um significado para um pecador arrependido que busca novidade de vida e outro significado para um pecador cauterizado (perda de sensibilidade) que busca uma chance de abafar a voz da sua consciência.

A importância da graça está nos olhos de quem a vê. Para alguns ela pode ser um bem precioso, nosso elo com Deus para a salvação, para outros pode ser um benefício de uso diário e que não muda.
Veja dois exemplos de cristãos:

O primeiro é aquele que pensa: “Vou pecar mais uma vez, depois vou orar e Deus vai me perdoar”. Veja que essa pessoa comete o pecado conscientemente porque acredita que logo depois alcançará o perdão. Há cristãos que tem uma concepção da graça como uma desculpa fixa e disponível para si. Ele olha para o caráter gracioso de Deus com a certeza que essa graça está sobre ele. Ele caminha certo de que a graça pode justificar qualquer pecado que venha a cometer mesmo antes de cometê-lo.

Essa graça oferecida sem nenhum critério traz uma segurança que não é verdadeira, ela dá a idéia cômoda que o cristão está livre para pecar e ser perdoado repetidamente. Então esse cristão não tem nenhum motivo para desligar-se do pecado, afinal há justificação para todas as suas falhas. Sendo assim ele pode continuar tendo a mesma vida que sempre teve.

Essa é a graça barata que não atenta ao preço que foi pago pelos pecados e nem mesmo ao fiador.

O outro exemplo de cristão é aquele que se encontra freqüentemente mergulhado na Bíblia. Ele ama a Palavra de Deus, medita nela para conhecer a vontade do Pai e procura andar dignamente segundo essa vontade. Com o passar do tempo e sua dedicação no estudo da Bíblia, passa a ter uma facilidade em discernir aquilo que faz parte do Reino de Deus proposto para a sua vida e o que não faz.

 Esse cristão se incomoda com o seu pecado e por amar Jesus luta para se desvencilhar deste mal. Ele dedica tempo orando por libertação, se espelha no caráter de Jesus e angustia-se com esse mundo. Ele entende que o preço pago por seus pecados foi alto demais, por isso peca mais do que gostaria e para ele a graça é a cura para seus pecados que passaram.  

A graça preciosa não separa o pecador do Evangelho, ele consegue enxergar a si como um pecador que precisa de regeneração, que precisa ser lavado. A graça preciosa desperta no pecador a necessidade de negar a si mesmo. Pois ele não quer desagradar Àquele que o chamou para a graça.

A mulher adúltera em João capítulo 8 do versículo 1 a 11, talvez seja a história mais pregada quando o assunto é a graça. Ela conta à respeito do encontro de Maria Madalena com Jesus. Uma mulher que vivia no pecado e foi levada a Jesus pelos religiosos na intenção de que Ele mandasse a apedrejar. Vejamos o que diz no versículo 11:

E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.
João 8:11

Jesus usando de sua graça ofereceu a ela o perdão pelos seus pecados. Assim a graça tem sido pregada como perdão para os nossos pecados e não há nada melhor para um pecador do que saber que existe perdão para nossas falhas. Porém a mensagem trazida por Jesus nesse versículo ainda não está completa quando olhamos apenas para o perdão oferecido. Ainda há de se dizer da outra parte da graça que está contida no “vai e não peques mais”.

A graça tem o papel de perdoar o passado de um pecador que se arrepende. O arrependimento traz em si o a mudança de vida. O convite de Jesus para Maria Madalena sair do pecado revela onde a graça atua.

O texto em sua origem nos revela que Maria Madalena era sensual e sexualmente imoral. Jesus que não faz acepção de pessoas, então a chamou para ser participante no Reino de Deus e ser livre da condenação eterna. Mas o seu chamado não terminou assim, ele veio acompanhado por “vai e não peques mais”. Jesus a estava chamando para uma mudança de vida, sair do pecado, porque o Reino de Deus se dá para aquele que passa por uma porta estreita e não larga (Mateus 7: 13 e 14).

Podemos ouvir, neste exemplo, o Salvador chamando aquele que bebe à sair do pecado, aquele que adultera à deixar essa prática, aquele que furta à não furtar mais, aquele que é ganancioso à deixar de ser, ao que é lascivo à deixar a vida de imoralidade, e tantos outros à se desligarem do pecado a fim de ganhar o Reino de Deus por meio da graça.

Nas palavras de Jesus nós podemos perceber a relação que a graça tem com o chamado para o arrependimento e mudança de vida. Assim, podemos aqui concluir dizendo que a graça está disponível ao pecador rompeu com o passado de pecados. Ela vem para livrar do fardo pesado que adquirimos na vida.

Se você entende o quanto a graça é necessária, precisa ouvir o chamado de Jesus para negar a sua natureza, seus desejos, concupiscências a fim de adquirir um tesouro maior que a vida terrena. A voz do Salvador diz:

(Seu nome aqui) vem que eu te perdôo por graça e te livro da condenação eterna, mas vá e não peques mais.

O que a história dessa discípula nos mostra é que graça está sobre a vida do cristão que abandonou seu pecado, assim como ela o fez. Por outro lado, aquele que quiser permanecer no pecado não terá a graça sobre ele, assim vemos sentido nas Palavras de Jesus no próximo versículo que diz:

Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

Quando Jesus fala sobre trevas, está se referindo a três coisas intimamente ligadas, são elas: a cegueira espiritual, a lei e o pecado. Não há possibilidade de separar estes conceitos, visto que a lei é a força do pecado, e aquele que não olha com sinceridade de coração para Jesus através da Palavra, é espiritualmente cego por não poder enxergar o seu próprio pecado.

Três aspectos compreendem a vida daquele que segue Jesus de acordo com o último versículo:

·         Ele enxerga com clareza todas as coisas, tanto dentro de si como fora;
·         Entende que Cristo já riscou a cédula da lei contrária a nós, portanto não está mais sujeito à lei;
·         Escuta o chamado do Pastor para segui-lo.

Seguir Jesus implica em imitar seu caráter. Nós conhecemos que Jesus é puro e sem pecados. Isso tudo nos faz compreender que a vida de uma pessoa não pode ter Jesus e o pecado ao mesmo tempo. Se Jesus está na vida de uma pessoa, ela precisa afastar-se do pecado.

Nós também sabemos que a luz referida por Jesus é a graça. Numa vida só há espaço para luz ou para as trevas, graça ou pecado, tão verdadeiro quanto graça ou cegueira e como graça ou lei. Andar na graça é fazer a escolha por seguir Jesus deixando a atração pelo pecado para trás.

À todas as pessoas que ouviram as palavras deste estudo fica estabelecida dentro do reino espiritual uma certa responsabilidade: há de se saber o quanto a satisfação no pecado nos distancia da graça. Aqui há uma bifurcação onde você pode escolher apenas um caminho com clara consciência.

A graça não é oferta para um pecado consciente, aquele que eu premedito fazer e em seguida pedir para ser perdoado. Grande parte dos pecados da maioria dos cristãos é consciente. Ela está proposta para o pecado inconsciente, aquele que só depois de feito tomamos consciência dele.

Se, por exemplo, um homem sai de sua casa para se deitar com uma mulher que não é sua esposa, está simplesmente cometendo um pecado com toda consciência e premeditação.

Sobre isso, Jesus disse: “Quem me segue não andará em trevas”. Pensar que segue Jesus e andar diferente dele é querer “tampar o sol com uma peneira”. Andar na luz é algo restrito para quem segue os ensinamentos de Jesus. 

E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.
Lucas 14:27

Se observarmos a continuação da história vemos que Maria Madalena tornou-se discípula de Jesus. Isso indica a grande mudança que aconteceu na vida dela.

Qualquer pessoa que aceita o chamado para ser discípulo (a) de Jesus não pode permanecer na vida de pecado como era. Assim como Ele mesmo proferiu “vai e não peques mais”, essa é, de fato, uma exigência de Cristo. Por outro lado existem aqueles que não saíram do pecado, mas acreditam ser discípulos do Senhor Jesus. Estes enganam a si mesmos e escandalizam os que estão lá fora.

Existe uma diferença maior entre um discípulo verdadeiro e um falso, essa diferença está em o quanto essa pessoa atenta para a Palavra de Jesus Cristo. Se ela crê que o seu conteúdo é realmente para guiar a sua vida ou se ela escolhe apenas aquilo que é conveniente a si dentro do Evangelho.

Alguns cristãos gostam das promessas, gostam da graça, gostam do amor de Deus que é lindo, palavras que soam suave aos ouvidos. Mas Jesus ensina muito sobre o pecado, o inferno, a cruz, a porta estreita e diz que aquele que não faz a vontade do Pai não tem direito à vida eterna (Mateus 7: 21).  

Assim como o verdadeiro discípulo é aquele que se abstém do pecado seguindo fielmente os passos de Jesus, também existe aquele que pensa ser e não é, e o motivo é que não ouviu as Palavras de Jesus.

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
João 10:9

Jesus descreve uma porta pela qual se alguém atravessar encontrou a salvação. A Bíblia também diz que somos salvos pela graça (Efésios 2:8), assim concluímos que Ele se referiu à graça. De fato, a graça foi manifestada em Jesus Cristo, portanto está correto compreendermos que olhar para Cristo é ver a graça.  

Poderia uma pessoa que não tem Jesus ser alvo da graça? Não, pois a graça é o ministério de Jesus e, portanto, são inseparáveis. Se a graça conveniente não tem relação com Jesus Cristo, como pode ser verdadeira? Veja quanto a graça pregada não tem relação com o Evangelho Bíblico, é uma graça barata e falsificada.

Ser discípulo de Jesus pressupõe negar suas paixões e concupiscências. Ou você acredita que Jesus se sentava numa mesa para beber e rir com os amigos? Acha que Jesus já tomou para si algo que não fosse Dele? Pensa que Jesus concordaria com os relacionamentos de hoje que não aceitam o casamento, mas amam o sexo? Seria Jesus ministro do pecado? Aquele que se diz ser seguidor de Jesus Cristo e permanece no pecado está tentando fazer de Jesus ministro do pecado. Mas Cristo é santo e imutável, portanto aquele que não se desfaz do pecado está na ilusão, esse não tem parte com o Salvador nem parte com a graça por Ele oferecida.

 A graça barata se contrapõe ao chamado de Jesus para sermos seus discípulos. Se pregarmos a graça apenas como o perdão de pecados sem a mudança de vida, os frutos serão cristãos que não buscam santidade, fartos e satisfeitos com seus pecados.

A graça barata é a mensagem capaz de lamber as feridas e os pastores que a pregam são como cães (Lucas 16: 21). E como é a vida de um ministro que prefere pregar perdão sem critério à pregar a santificação pela Palavra? Eles ficarão de fora quando Jesus vier – Apocalipse 22: 15.

O Evangelho não tem a característica de ser confortável ou conveniente, em sua plenitude deve concordar com a mensagem da cruz.

Vamos pensar agora também nos outros discípulos, em todos os nomes conhecidos no Novo Testamento. Paulo o apóstolo cheio de graça teve que deixar de ser Saulo quando ouviu o chamado de Cristo. Pedro ouviu o chamado ao arrependimento por três anos consecutivos, teve que deixar antigo jeito de ser para ser um verdadeiro discípulo. João, tão amado pelos crentes, era antes o filho do trovão e teve que mudar sob o chamado para revelar o amor de Deus ao mundo. Dessa forma, cada um que recebeu a graça mudou de vida para seguir Jesus.

Apenas um foi a exceção. A Bíblia dá exemplos do amor que Judas tinha pelo dinheiro (João 12: 6), embora ele tenha ouvido o sermão para arrepender-se também por três anos, não lhe deu crédito. Esse amor o levou a trocar Jesus por trinta moedas de prata. Se Judas se desfizesse de seu pecado favorito amando mais à Cristo, a história seria diferente.

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. 
Mateus 13:44 a 46

Para ter o Reino do céu na nossa vida, e a graça é parte importante dele, precisamos nos desfazer de nós mesmos, do jeito de ser, dos passatempos favoritos, do apego às coisas terrenas, de tudo o que nos liga ao pecado. Só quando nos despojamos de tudo é que recebemos o Reino de Deus.

Irmãos, tanto para o nosso viver quanto para as palavras que vamos pregar, devemos atentar ao real valor da graça dada por nosso Senhor Jesus Cristo com sangue. Honrar o Espírito que Ele nos deixou para a santificação das nossas vidas, o qual também é chamado de Espírito da graça – Hebreus 10: 29.

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